LADROES DE NATUREZA: UMA REFLEXAO SOBRE A BIOTECNOLOGIA E O FUTURO DO PLANETA (LIBRO)

Mural-Diego-Rivera-21-photo-by-Mirairi-Erdoza-SEBASTIÃO PINHEIRO e DIOCLÉCIO LUZ

O DESTINO

Já que viver é preciso, que o façamos com dignidade.

Este livro trata disso: uma reflexão sobre a dignidade humana. O tema central – biotecnologia – marca um tempo, um momento na história em que foi dado ao homem a oportunidade de refletir sobre o seu destino. Em nenhuma outra circunstância, ele teve tanto poder como agora. Mais que um bruxo, ele tem poderes de um deus. Poder de criar animais, plantas, seres pequenos e grandes. E criar no sentido lato da palavra: manipular genes até que surja algo, algos.

A ladainha cotidiana dos economistas insiste numa avaliação restrita para a biotecnologia. Querem-na cartesiana. Mas o tema é artesiano – é profunda, é uma questão que transcende a questão econômica. Quando se fala em biotec- nologia está se falando de vida, isto é, de filosofia, sociedade, ética, religião, sobrevivência do planeta.

O mais difícil para uma avaliação dos impactos da biotecnologia no mun- do moderno e suas implicações no futuro do planeta é que o tema se permite muitos modos de abordagem. Muitos debates precisam ocorrer, muitos livros precisam ser escritos para que a sociedade perceba com que tipo de magia estão mexendo. Nesta obra, o enfoque maior é sobre a questão do poder adquirido (ou herdado) por aqueles que detêm e avançam no conhecimento sobre a bio- tecnologia. Podem uns poucos dominarem a produção de alimentos no planeta e serem donos da vida? Eles têm direito a manipular genes até criar seres que vão servir aos seus interesses? Eles podem chegar no Brasil, roubar a biodiver- sidade, extrair a matéria-prima e registrar em seus nomes? Os economistas di- zem que sim. O bom senso e a dignidade dizem que não.

O poder econômico dá-lhes esse direito, infelizmente – porque a econo- mia é quem faz as leis. Por mais absurdo que pareça, os ladrões de natureza agem dentro da lei. Como esse livro não tem poder de prisão, ainda mais quan- do se trata de piratas que agem legalmente, coube-lhe a missão de apontar quem são os ladrões de natureza, mostrar como atuam, identificar os males que acar- retam à humanidade e ao planeta.

É um alerta para que a história não se repita. Para que o país não continue, como é hoje, campeão mundial de desigualdade social, e com um terço de sua população não tendo o que comer. Para que não haja mais vidas severinas, como no poema de João Cabral de Melo Neto:

Somos muitos Severinos

iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida, morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).

O Brasil, feito grande e farto, foi entregue a uns poucos. Há 500 anos. Até hoje, estes que não morrem, vampiros tecnológicos, dominam isto aqui. É deles a praga que nos cabe, nascida na mesma poesia do poeta pernambucano:

Essa cova em que estás com palmos medida,
é a conta menor
que tiraste em vida.

É de bom tamanho, nem largo nem fundo, é a parte que te cabe deste latifúndio.
Não é cova grande,
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida.
É uma cova grande para teu pouco defunto,

que estavas no mundo.

Este livro é uma recusa ao fúnebre presente ofertado pelos ladrões de natureza. Rejeita o futuro que está sendo oferecido. Um futuro que fede como um defunto, porque este é o aroma que acompanha os vampiros e os piratas.

Em contrapartida, oferece um vaticínio de fartura, menos desigualdade e mais alimentos. O destino, afinal, também depende de cada um de nós. As pes- soas costumam esquecer este detalhe. Por sermos otimistas, aqui, vamos estar lembrando disso em cada palavra escrita, ou não.

Os autores.

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Ladrões de Natureza – Uma reflexão sobre a Biotecnologia e o futuro do Planeta

Os autores

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